Encontro em Bilbao fortalece solidariedade internacional dos trabalhadores

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Mais de 60 pessoas de mais de 35 organizações de 16 países estão reunidas esta semana em Bilbao, no País Vasco, para buscar fortalecer a solidariedade internacional entre os trabalhadores no enfrentamento da voracidade do capital. O Seminário “Alimentos, água e energia não são mercadorias”, organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) do Brasil e pela Mundubat, do País Vasco, teve início nesta terça-feira (29 de outubro).

 O foco da atividade é identificar as estratégias do capital para enfrentar esse momento de crise econômica e fortalecer a união dos trabalhadores para lutar. “Nesse momento de crise, o capital toma medidas muito mais agressivas contra os trabalhadores e a natureza e as transnacionais aparecem como uma dessas formas mais agressivas, que não respeitam pátria, nem trabalhadores, nem recursos naturais, apenas o lucro”, afirmou Leonardo Bauer, da coordenação nacional do MAB.

Durante a análise de conjuntura, outra integrante da coordenação do MAB, Soniamara Maranho, destacou as estratégias do capital para sair da crise: apropriação das bases naturais mais vantajosas, aumento da exploração dos trabalhadores, criação de novas tecnologias e apropriação das estruturas dos Estados.

A atividade homenageia os trabalhadores que foram vítimas dessa lógica de funcionamento. No início da manhã, os participantes trouxeram presentes dois casos recentes de morte de trabalhadores do setor energético. Uma das vítimas foi Carlão, trabalhador da CEMIG, morto na semana passada por uma descarga elétrica, fruto da precarização do trabalho. Além disso, ontem morreram seis mineiros durante o trabalho em León e três estão internados em estado grave.

Na análise de conjuntura que abriu a atividade, os participantes da mesa buscaram auxiliar na compreensão dos mecanismos de exploração do capital no mundo globalizado, que incluem a exploração sobre os trabalhadores e a natureza.

Na análise de conjuntura, a produção de energia aparece como um elemento central para compreender os movimentos do capital internacional. Nessa linha, Kostis Damianakis, da Rede Cretense contra a Energia Susentável Industrial, destacou que a discussão sobre ser a favor ou contra esse tipo de geração é um falso dilema e uma armadilha das grandes empresas. “O fundamental é discutir para que e para quem”, afirmou.

Mónica Vargas, do Observatório da Dívida da Globalização, traçou um panorama sobre como os grandes projetos de infraestrutura e integração internacional estão voltados para a extração de matéria prima.

A luta dos trabalhadores contra as transnacionais

Juan Hernandes Zubizarreta, do Instituto de Estudos sobre Desenvolvimento e Cooperação Internacional da Universidade Pública do País Vasco (Hegoa-UPV), trouxe em sua contribuição os quatro eixos que devem ser atacados na luta contra as transnacionais: além das próprias empresas, o Estado de origem, o Estado receptor e as organizações financeiras internacionais.

“A única saída para os trabalhadores é articular a formação política com a organização popular e as lutas unificadas”, disse Soniamara. De acordo com Zubizarreta, “para fazer esse enfrentamento, precisamos construir redes contraegemônicas de solidariedade internacional e isso significa ter agendas comuns contra um inimigo comum, porque as transnacionais também não têm fronteiras”.

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