MAB lança Encontro Nacional em Brasília

Nesta quarta-feira (07), diversas organizações sociais, sindicais, eclesiais e parlamentares se reuniram para o ato-político de lançamento do Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que aconteceu na […]

Nesta quarta-feira (07), diversas organizações sociais, sindicais, eclesiais e parlamentares se reuniram para o ato-político de lançamento do Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que aconteceu na sede da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília.

Há menos de um mês para o início do Encontro Nacional, este foi mais um ato de uma série de lançamentos já realizados em todo o país. Até setembro outros tantos estão previstos para anunciar o evento a amigos e parceiros do Movimento e para animar a própria base que, em São Paulo, estará representada por cerca de três mil atingidos de todo o país.

O coordenador nacional do MAB, Joceli Andrioli, destacou a necessidade da aprovação da Política Nacional de Direitos para as Populações Atingidas por Barragens (PNAB), proposta de política pública que garanta os direitos dos atingidos elaborada pelo movimento.

A única lei que versa sobre os atingidos é de 1941 e restringe a indenização por desapropriação apenas aos atingidos com posse legal da terra, em contraste com o extenso marco regulatório do setor elétrico.

Além disso, Joceli destacou a importância da unidade entre o campo e cidade nesta luta. “O MAB não é apenas um movimento corporativo que organiza a luta e reivindica os direitos dos atingidos, mas é um movimento que luta por um novo modelo energético para o país e por um novo projeto de sociedade. Para isso, é muito importante a unidade que estamos construindo ao lado dos eletricitários”, assinalou.

Na mesma linha, o representante do Stiu-DF e da Plataforma Operária e Camponesa para a Energia, ressaltou o papel do MAB na construção de uma visão popular sobre a energia.

“Por muitos anos, a visão de alguns eletricitários era que as barragens são construídas para gerar desenvolvimento para o país, mas principalmente depois do convívio com o MAB, no meu caso especialmente em Tucuruí, nós percebemos que o desenvolvimento não é para o país, mas sim para poucos, para poucas empresas”, afirmou Jeová, dirigente do Stiu-DF.

Para o representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), Francisco Dal Chiavon, esse modelo energético de grandes barragens é elemento da falta de soberania nacional. “Esse modelo dá o ouro para os grandes e as migalhas para os pequenos. Isso é um sinal do Brasil colonial, um sinal que este é mais um ciclo de exploração de minério para exportação”, comparou.

Plebiscito Popular

Para Joceli, as pautas reivindicadas nos últimos protestos tinham um caráter progressista. “A esquerda não soube dar um direcionamento para a luta. Em contrapartida, o império está com os olhos e canhões voltados para cá, para a América Latina, por isso precisamos estar mais do que nunca unidos na luta”, avaliou.

O representante da CNBB, padre Ari Antônio dos Reis, também assinalou a urgência da unidade para o período. “Apesar de nossas pautas terem um elemento de particularidade, o fundamental agora é construir o elemento da solidariedade, de se somar a luta comum”.

Organizações e movimentos sociais realizaram, nesta segunda-feira (05), uma plenária ampla em São Paulo que apontou para a necessidade de construção de um plebiscito popular para discutir com o povo a urgência de reformas estruturais.

“Com esse levante que veio das ruas nós podemos colocar pautas que estavam engavetadas há 10, 20 anos, por isso este é um momento fértil para avançarmos no debate sobre a reforma política, além de outros temas estruturais, como a democratização dos meios de comunicação”, afirmou Rosângela Piovesano Cordeiro, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) e representante da Via Campesina.

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