Atingidos produzem açaí no Tocantins

A produção de alimentos saudáveis, cultivados de maneira agroecológica e livre de agrotóxicos está sendo incentivada pelo MAB em todos os estados e diversas famílias já estão produzindo dessa maneira. […]

A produção de alimentos saudáveis, cultivados de maneira agroecológica e livre de agrotóxicos está sendo incentivada pelo MAB em todos os estados e diversas famílias já estão produzindo dessa maneira.

Os atingidos por barragens do reassentamento Mariana, a 25 km da cidade de Palmas, em Tocantins, estão utilizando novas formas de plantio e provando que, com força de vontade, assistência técnica, recursos hídricos e mercado consumidor, frutas amazônicas como açaí e cupuaçu podem facilmente ser cultivadas em áreas de cerrado.

Tudo começou quando o agricultor Getúlio Vieira da Silva, 58 anos, e mais 12 pessoas se mudaram, no ano de 2000, para as margens da Serra do Lajeado, em Palmas, área com grande quantidade de mata preservada, que esconde riquezas turísticas ainda pouco conhecidas. Atingidos pela usina hidrelétrica de Lajeado, os agricultores conquistaram o reassentamento Mariana após um processo de luta no MAB.

Antes de ser atingido, Getúlio cultivava hortaliças para subsistência e após a mudança teve que se adaptar às condições da nova área, sujeita a alagamentos. “Um dia acordei e a água estava chegando à porta da minha casa”, conta.

Mas o que poderia ser um grave problema de produção tornou-se uma nova forma de geração de renda. Sabendo que a palmeira do açaí se dá muito bem em terreno encharcado, ele viajou mais de 700 km e, do estado do Pará, pesquisou espécies que se adaptassem ao clima de Palmas. Levou mil mudas. “No início as pessoas falavam que eu estava perdendo meu tempo, que a planta não iria sobreviver e que eu não iria ganhar dinheiro com isso. Hoje, todos os moradores do reassentamento cultivam açaí”, ressalta.

Das mudas plantadas, hoje ele passeia animado por uma área de cinco hectares de Sistema Agroflorestal (SAF), forma de utilização da terra com plantio de diversas espécies de árvores de maneira consorciada numa determinada área.

Pedras no caminho e superação

De acordo com o senhor Getúlio, problemas como a falta de energia elétrica e a demora no restabelecimento do fornecimento fizeram com que ele e o restante da comunidade tivessem perdas financeiras.

“Em 2008, tivemos que jogar fora 500 kg de polpa de açaí, porque não tinha energia elétrica”, lembra. Mesmo assim eles não desistiram. Prova disso foi que, com o apoio de diversos órgãos, a comunidade conquistou maquinários para despolpa, pasteurização e congelamento do açaí, além de uma casa do mel para centrifugação e envasamento da produção e uma unidade demonstrativa de criatório de galinha caipira.

Juntamente com a produção de alimentos saudáveis, o MAB tem incentivado as famílias a participarem do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e a usarem a tecnologia que tem como base o programa “Produção Agroecológica Integrada e Sustentável” (PAIS). Com isso, haverá o fortalecimento da organização dos camponeses e a geração de renda através da venda do excedente da produção.

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